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No comando: Gilberto E. – Produtor e Programador

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No comando: No Quintal De Casa – Com Natal De Barros

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No comando: Sabadão Sertanejo – Jota Carlota

Das 05:00 as 09:00

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No comando: Encontro Rural – Carlos Cesar

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No comando: Guavira Noticias – Reinaldo Santos

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No comando: MÚSICA E INFORMAÇÃO, COM CARLOS CESAR

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No comando: O Domingo É Nosso – Natal De Barros

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No comando: Manhã 103 de Sucessos – Wilson Papareli

Das 09:00 as 12:00

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No comando: De Primeira – Ricardo Capriotti

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No comando: PROGRAMA ROBERTO & MEIRINHO

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No comando: Viva a vida – Leocir Munhoz

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No comando: Guavira e as Brasileiras

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No comando: PROGRAMAÇÃO 103/ FUTEBOL E MÚSICAL

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No comando: Programa Mais Música – Edezio Vieira

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No comando: Jornada Esportiva – Rogerio Assis

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No comando: Coração Sertanejo – Reinaldo Santos

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No comando: Relíquias da 103 – Reinaldo Santos

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No comando: DJ GUAVIRA FM

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Herói ou bandido? A polêmica estátua de Lampião, que divide cidade pernambucana

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capa

As várias opiniões sobre a figura de Virgulino Ferreira da Silva, o “Lampião”, foram bem ilustradas pela música Fim da História, do músico baiano Gilberto Gil: “Lampião sim, Lampião não, Lampião talvez/ Lampião faz bem, Lampião dói…”, diz um trecho.

Segundo Gil, a letra foi uma resposta a um artigo do filósofo nipo-estadunidense Francis Fukuyama, que naquela época havia ficado mundialmente famoso por sugerir que a queda do Muro de Berlim, em 1989, significava o “fim da história” e a vitória definitiva do capitalismo liderado pelos Estados Unidos.

Uma cidade do interior de Pernambuco, no entanto, oferecia, para Gil, o contraponto perfeito ao argumento de Fukuyama. Em 1991, quando Gil ainda trabalhava naquela canção, o município de Serra Talhada, a 407 quilômetros de Recife (PE), mergulhou numa discussão exaltada sobre Lampião, que nascera ali no final do século 19.

Uma fundação local queria erguer uma estátua do cangaceiro numa área pública do município, mas as famílias mais tradicionais da cidade rejeitavam a ideia. Para tentar resolver o embate, a prefeitura decidiu promover uma consulta pública para que a população decidisse sobre ela (“Passaram-se os anos, eis que um plebiscito/ Ressuscita o mito que não se destrói…”). O monumento venceu nas urnas, mas nunca foi construído.

Quase trinta anos depois – novamente rejeitando o “fim da história”, diria Gil – e mesmo em um momento diferente, Serra Talhada tende a se dividir outra vez em torno do mesmo assunto: uma fundação anunciou que vai instalar ainda neste ano três estátuas em uma área próxima ao centro da cidade: uma de Lampião, outra de sua esposa, Maria Gomes de Oliveira, a “Maria Bonita”, e uma terceira de um dos seus soldados mais próximos, Isaías Vieira dos Santos, o “Zabelê” (“Sempre o pirão de farinha da História/ E a farinha e o moinho do tempo que mói…”).

O projeto faz parte das comemorações de 80 anos da morte do cangaceiro, que foi lembrada em muitas cidades do interior nordestino ao longo deste ano.

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O plebiscito de 1991
No começo de 1988, o então vereador Expedito Eliodoro (extinto PDS) apresentou um projeto para construir uma grande estátua de Lampião no alto da serra que moldura e inspira o nome do município, a cerca de quatro quilômetros da praça central. Sua ideia era inspirada no monumento de 27 metros do Padre Cícero, erguida 20 anos antes em Juazeiro do Norte, no Ceará.

Naquele ano, alguns grupos da cidade se preparavam para comemorar os 90 anos do nascimento do cangaceiro, cujos esparsos registros indicam que aconteceu ali, em um sítio nos arredores, em algum dia de junho de 1898.

À época, a relação de Serra Talhada com Lampião era ambígua: enquanto muitos soldados das forças volantes que combateram o cangaço pelo sertão nordestino nas décadas de 1920 e 1930 ainda estavam vivos e tinham se tornado nomes importantes da política e da economia municipal, movimentos estudantis, culturais e operários tinham nele uma imagem de luta por justiça social.

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Morto em 1938, três semanas depois do seu aniversário de 41 anos, em Poço Redondo, no Sergipe, Lampião não tinha sequer um logradouro em sua cidade natal (“…Um cangaceiro/ Será sempre anjo e capeta, bandido e herói…”)

Sem apoio parlamentar, o projeto de Eliodoro – que tinha sido o vereador mais votado da história municipal – não foi aprovado. “A ideia era muito doida: ter uma estátua gigante do Lampião no alto do morro. Sairia caro, mas óbvio que seria muito bacana para a cidade”, afirma Cleonice Maria, presidente da atual Fundação Cabras de Lampião de Serra Talhada.

A ideia nunca mais abandonou o município: no ano seguinte, quando um jornalista da recém-chegada TV Asa Branca, afiliada da Rede Globo em Caruaru, a 314 quilômetros, soube do projeto vencido, viajou até a cidade para fazer uma reportagem sobre a estátua. Era o que faltava para virar o principal assunto dos pouco mais de 72 mil habitantes.

“Foi entre abril e maio de 1990. A imprensa local, que até então pouco falara no assunto, passou a repercuti-lo, e logo virou um debate em todos lugares de Serra Talhada. Você ia no bar, estavam falando sobre a estátua de Lampião. Ia na escola, a mesma coisa. Na rua, no salão de cabeleireiro, no mercado, no trabalho. Só se falava disso”, conta o jornalista, professor e historiador Paulo César Gomes, que estuda o fenômeno social do cangaço.

Em 1991, a extinta Fundação Casa da Cultura de Serra Talhada tomou a ideia para si e propôs que a prefeitura abrisse uma consulta popular sobre a construção da estátua não no alto do morro, mas em uma área conhecida como Estação do Forró, atrás da antiga parada ferroviária. O presidente da instituição à época, Tarcísio Rodrigues, já tinha em mãos uma maquete feita pelo artista plástico Karoba, que ficou exposta ao público local.

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O prefeito topou a ideia e decidiu marcar o plebiscito para o feriado de 7 de setembro – dia da Independência do Brasil. “Foi um embate entre gerações de Serra Talhada, porque os contemporâneos de Lampião se posicionaram contra: eles tinham sido influenciados pelo legado negativo dele, pela perspectiva da violência e do banditismo”, recorda Gomes.

“Os jovens, que vieram depois que Lampião morreu, não tiveram essa mesma influência. Eles encamparam a luta nos movimentos estudantis, centros acadêmicos e com o apoio de associações operárias”, completa.

A consulta da prefeitura de Serra Talhada chamou a atenção da imprensa pelo país: em julho de 1991, a revista Veja publicou uma reportagem dizendo que a votação era a “última batalha do rei do cangaço”. O jornal carioca O Globo foi na mesma linha, afirmando que Lampião finalmente seria julgado, 53 anos depois de seu assassinato.

De acordo com a Justiça Eleitoral de Serra Talhada, 76% dos eleitores (2.289 pessoas) votaram pelo “sim”, contra 22% do “não” e 0,8% de abstenções. A apuração foi acompanhada pela jornalista Vera Ferreira, neta de Lampião e Maria Bonita e, após o anúncio do resultado, os apoiadores da estátua aproveitaram o desfile cívico de 7 de setembro e a festa de Nossa Senhora da Penha, padroeira da cidade, para comemorar nas ruas. Nas semanas seguintes, os que tinham feito campanha pelo “não” ameaçaram destruir o monumento assim que ele fosse erguido.

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A estátua de Lampião, porém, jamais se materializou. Sem dinheiro para executar a ideia, que previa grandes dimensões e o uso de materiais como bronze e granito, a fundação – que tinha assumido a responsabilidade da construção – não conseguiu financiamento para tirá-la do papel. A Fundação Banco do Brasil, uma das sondadas por Rodrigues, não quis patrocinar o projeto. Em 1993, quando ele deixou a presidência da instituição, o plano foi definitivamente engavetado.

A relação entre Lampião e Serra Talhada, no entanto, mudou depois daquele ano – mesmo sem a estátua.

Uma pequena praça no centro da cidade passou a ser chamada informalmente de “Pracinha do Lampião”, mesma época em que um novo hotel abriu suas portas com o apelido do cangaceiro. Uma rua da periferia foi nomeada oficialmente de Virgulino Ferreira da Silva e, em 1995, membros de um grupo de teatro de rua criaram a Fundação Cabras de Lampião que, por sua vez, deu origem ao Museu do Cangaço, localizado no mesmo espaço onde ficaria o monumento.

“Abriu-se uma perspectiva de se explorar comercialmente a figura de Lampião do ponto de vista do turismo. Houve uma ascensão do xaxado (dança criada pelos cangaceiros a partir das bases do forró), de eventos relacionados ao cangaço e depois veio o museu. O plebiscito foi uma virada na forma como Serra Talhada lida com Lampião, mas a cidade precisou que a opinião popular prevalecesse para que isso acontecesse”, analisa Gomes.

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O novo projeto
Depois de 27 anos do plebiscito, um novo projeto de estátua de Lampião voltou a dividir Serra Talhada. Neste ano, em que várias regiões do Nordeste lembraram do aniversário de 80 anos da morte do cangaceiro, Cleonice Maria, da Fundação Cabras de Lampião, anunciou em julho que o monumento enfim será erguido ao lado do Museu do Cangaço.

As dimensões do projeto são diferentes do que havia sido proposto em 1991, assim como os custos envolvidos, mas Cleonice o encara como uma retratação da cidade com a figura de Lampião. “Lampião é um símbolo de resistência e está na história como um homem que lutou contra todo tipo de exploração e de injustiça. A maioria das pessoas em Serra Talhada apoia nossa ideia e reconhece a importância dele para a cidade”, afirma.

“As estátuas estão muito bonitas. Vamos colocá-las na parte externa do museu e deixá-las ali para que as pessoas façam suas homenagens”, comenta, empolgada.

Produzidas a partir de concreto armado pelo artista Zaldo Mendes, de Sanharó, a 215 km de Serra Talhada, elas terão 1,80 metro de altura sobre pedestais de 1,5 metro. As peças já estão na cidade, mas ainda não foram instaladas pela demora da fundação em organizar a inauguração – o mais provável é ela aconteça em janeiro, fora das comemorações de 2018.

O anúncio, assim como aconteceu no começo dos anos 1990, não foi bem recebido por todos os moradores. Agora, além da figura heróica, os apoiadores da estátua são aqueles que acreditam que o monumento vai atrair ainda mais turistas interessados na história de Lampião para Serra Talhada, beneficiando a economia local. De outro lado estão as pessoas que consideram que a imagem do cangaceiro é negativa para a cidade.

Nas redes sociais, xingamentos como “bandido”, “assassino”, “estuprador”, “sanguinário” e “fascínora” pipocaram para se referir a ele quando a notícia foi publicada pelo principal jornal local. Cleonice conta que, depois de uma entrevista a uma rádio, as reações subiram de tom nas ruas, apesar de não ter recebido ameaças.

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O empresário Euclides Ferraz Neto é um dos principais oposicionistas da ideia. Neto e sobrinho de soldados da volante de Pernambuco que combateram Lampião no sertão, ele conta que cresceu ouvindo histórias sobre os crimes do cangaceiro. “Fica essa questão se ele foi um herói oi não foi, mas para a minha família, que passou a vida defendendo o Estado, Virgulino sempre foi um homem com uma vida pregressa, um fora da lei”, diz.

“A estátua é uma tentativa de algumas pessoas colocarem a ideia de que Serra Talhada vive a cultura de Lampião. Isso é uma mentira. Sequer somos a capital do xaxado. Não tem nenhum programa voltado para isso aqui. Não há nenhum benefício cultural ou histórico em colocar um monumento desses na cidade. Eu acredito que, fazendo a pergunta certa em um plebiscito, todo mundo vai se posicionar contrariamente”, completa.

O prefeito Luciano Duque (PT), eleito em 2016, porém, é um entusiasta dos monumentos. “Tem gente que odeia e tem gente que admira, mas eu vejo como uma figura histórica que teve importância para a cidade e para a região”, opina. “Além de tudo, será benéfico para o turismo, porque o cangaço, como fenômeno, é conhecido no mundo inteiro”. Como a estátua será colocada em uma área de propriedade privada da fundação e não necessitou de recursos públicos, a prefeitura não teve participação na decisão.

Cleonice diz achar difícil que os monumentos sejam vandalizados, como ameaçavam os opositores do projeto original, e que não há como comparar o plebiscito de 1991 com o contexto atual de Serra Talhada. “De lá pra cá muita coisa aconteceu. O curso da história foi modificado. Aquelas promessas de jogar bombas, deixar um avião cair sobre a estátua… Isso não existe mais, porque a cidade apoia Lampião”, diz ela, se referindo às ameaças feitas à época.

Ferraz, no entanto, não é tão otimista quanto Cleonice. “Se a estátua de Juraci Magalhães, que foi um estadista, um governador, foi depredada quando colocada na praça da cidade, por que a de Lampião não seria?”, indaga.

Ainda hoje alguns soldados da antiga força volante de Pernambuco estão vivos em Serra Talhada, bem como antigos amigos do fazendeiro José Alves de Barros, o “Zé Saturnino”, primeiro grande inimigo de Lampião, e ex-cangaceiros que chegaram a lutar com ele no sertão nordestino.

Nas eleições presidenciais deste ano, a divisão entre eleitores de Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) foi bastante marcada pelo debate sobre a estátua – o petista teve 77% dos votos no segundo turno no município.

Para o historiador Paulo César Gomes, o plebiscito de 1991 ainda influencia a percepção de Serra Talhada sobre o cangaceiro, o que pode influenciar no debate atual. “Hoje é mais fácil debater o cangaço nas escolas, porque os alunos pedem filmes sobre o assunto, procuram o Museu do Cangaço, querem dançar xaxado e procuram saber se Lampião foi um bandido ou um herói”, conta.

“Mesmo depois de tantos anos a gente não saiu desse embate. Aquele 7 de setembro de 1991 nunca acabou”, completa. No fim da história, como cantou Gil, “tantos cangaceiros/ Como Lampião/ Por mais que se matem/ Sempre voltarão”.

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